quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

O homem andava pra lá e pra cá nas ruas da pequena cidade. Ninguém o conhecia, nem ele a ninguém. Sentado no banco da praça tira um pão velho da mala e o divide com os pombos. A praça é só merda de pombo. Em tudo quanto é banco, todo o chão da praça, até a fonte do meio da praça está cheia de merda de pombo. Mas para o homem essa é a beleza da cidade.
Um vagabundo se aproxima, achando que esse é mais um como ele:
- E aí irmãozinho, tem um cigarro?
- Cai fora.
O vagabundo está meio aturdido, cambaleando, os olhos virados.
- É... O baguio é doido.
...
O pensamento distante, na amada talvez, na cerveja que não tem dinheiro para tomar, nas pombas disputando as migalhas. E naquele vagabundo sem futuro, completamente igorante, que começa a falar denovo.
- Porra, mó perreio. Cheguei aqui de carona, num carro aí... Tú toma uma?
Todo vagabundo toma cachaça. É apenas a vontade de ficar bêbado, gastando pouco. A solidão e a tristeza de não ter casa, causam essa melancolia e necessidade de beber.
- Não.
- Valeu irmãozinho, boa sorte, fica com Deus. – Estende a mão.
O homem olha e fica parado.
- Qual é? Tamo tudo na correria, é ou não é... Educação e humildade. Benditos os humildes, pois os humilhados, esses sim terão o reino dos céus.
- Todo seu.

3 comentários:

mel disse...

grrr... mato não!!!!!!!


agora vou ler seu post!

mel disse...

Gostei do texto, realmente, todo vagabundo bebe uma cachacinha! Impressionante!

E isso me fez lembrar um estudo inútil de cientistas ingleses, acho, que comprovava que pombos gostam de cagar em carros brancos!

mel disse...

ps: o "mato não" foi em relação ao texto do meu blog, hehe! (porque cê falou de mato aqui, então ficou ambíguo, huhuh)